segunda-feira, 30 de outubro de 2017

POEMA - FERNANDO PESSOA - ABDICAÇÃO

TOMA-ME, Ó NOITE ETERNA, NOS TEUS BRAÇOS
E CHAMA-ME TEU FILHO. EU SOU UM REI
QUE VOLUNTARIAMENTE ABANDONEI
O MEU TRONO DE SONHOS E CANSAÇOS.

MINHA ESPADA, PESADA A BRAÇOS LASSOS,
EM MÃOS VIRIS E CALMAS ENTREGUEI;
E MEU CETRO E COROA - E U OS DEIXEI
NA ANTECÂMARA, FEITOS EM PEDAÇOS

MINHA COTA DE MALHA, TÃO INÚTIL.
MINHAS ESPORAS DE UM TINIR TÃO FÚTIL,
DEIXEI-AS PELA FRIA ESCADARIA.

DESPI A REALEZA, CORPO E ALMA,
E REGRESSEI À NOITE ANTIGA E CALMA
COMO A PAISAGEM AO MORRER DO DIA.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

POEMA DE SILVANA RC - LUZ COMO TE QUERO...

A LUZ DA MANHÃ
BRILHA DE GRAÇA
COMO UMA FORÇA
QUE TE CHAMA !

APROVEITA SEMPRE
O QUE ELA TEM
E QUER TE DAR
SEM COBRAR!

TUDO QUE A NATUREZA
TE OFERECE, É PURO
MUITAS VEZES
VOCÊ NÃO PERCEBE!

 CHEGOU A HORA
DE OLHAR PRO LADO
E VER A MARAVILHA
DO SOL, DA LUA, DO MAR...

OLHAR PARA SER HUMANO
 E TAMBÉM SE DESLUMBRAR
COM A CRIAÇÃO MAIS
GENIAL, O HOMEM!

TUDO NA VIDA É REGIDO
PELOS SENTIMENTOS DE
DISCIPLINA, LIBERDADE
E COMPAIXÃO NO RITMO
DO AMOR;



POEMA DE FERNANDO PESSOA -BATE A LUZ NO CIMO...

Bate a luz no cimo
Da montanha, vê...
Sem querer eu cismo
Mas não sei em quê...

Não sei que perdi
Ou que não achei...
Vida que vivi,
Que mal eu a amei!...

Hoje quero tanto
Que o não posso ter,
De manhã há o pranto
E ao anoitecer...

Tomara eu ter jeito
Para ser feliz...
Como o mundo é estreito,
E o pouco que eu quis!

Vai morrendo a luz
No alto da montanha...
Como um rio a flux
A minha alma banha,

Mas não me acarinha,
Não me acalma nada...
Pobre criancinha
Perdida na estrada!...

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

TRECHOS DE HISTÓRIAS QUE CAUSAM EFEITO, QUANDO LEMOS!


     MEU AMOR É TÃO GRANDE QUE:
  - Se todas as folhas das árvores fossem línguas mesmo assim não seriam capazes de expressá-lo.

O livro é estranho e tem resposta para os pensamentos da gente, isso tem!


 Dizia que o marido nascera sob o signo do Carrinho de Mão: era sempre necessário empurrá-lo.

Observara inocência e ingênua franqueza com que ela mostrava a cada passo a sua ignorância. 



  Descrevendo os dedos  da mão:
 Eram muito orgulhosos. Eram cinco irmãos, todos da família dos dedos. Viviam todos sempre juntos, apesar de serem de comprimentos diversos: o de fora, por exemplo, o polegar, era gordo e curto; andava em frente da fila, e só tinha uma única junta nas costas e não podia fazer mais que uma curvatura. Mas dizia que se fosse arrancado da mão de um homem, este não poderia ir par ao exército! O vizinho, um guloso, metia-se em tudo, fosse doce ou azedo, apontava para o Sol e para a Lua, e formava as letras, quando escreviam, todos juntos por sinal. Mestre Comprido, que é o de meio, olhava por cima do ombro para todos os outros. O quarto, Gola de ouro, usava um círculo em volta do corpo, e o pequeno, o Brincalhão, esse nada fazia, e tinha muito orgulho disso! Eram uma súcia de fanfarrões, e por isso abandonei-os.

Meus pais dizem que tu és sozinho, e tão abandonado...

   - Não! - disse o velho cavalheiro. - Os velhos pensamentos e as velhas saudades também me vem visitar, como tu.

que, pela sua extrema importância, o seu sabido valor, é difícil de ser avaliado em dinheiro ou em apreço.

"joias i., uma ajuda i."