sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Pintura de palavras FORTES em madeira!
Palavra que leva a pensar em muitas possibilidades! Minha filha pinta palavras originais e com significados relevantes! Sensibilidade é com ela!
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
TODOS OS DIAS - SILVANARC
Todos os dias são frios
Difícil sair do calor da cama
E penso no que tenho
E o que fazer.
Todos os dias , têm luta
E como enfrentar
Sem perder a paz,
E ser humano.
Todo os dias, rezo
Pedindo proteção
Amor, e ela :
A saúde!
Todos os dias, quero mais
Para poder doar mais
Perdoar mais
Tolerar mais!
Todos os dias, quero viver
Para poder ver
Meus filhos e Netos
Correndo felizes!
Difícil sair do calor da cama
E penso no que tenho
E o que fazer.
Todos os dias , têm luta
E como enfrentar
Sem perder a paz,
E ser humano.
Todo os dias, rezo
Pedindo proteção
Amor, e ela :
A saúde!
Todos os dias, quero mais
Para poder doar mais
Perdoar mais
Tolerar mais!
Todos os dias, quero viver
Para poder ver
Meus filhos e Netos
Correndo felizes!
FERNANDO PESSOA - SEM NADA FEITO E O POR FAZER-
Assim, sem nada feito e o por fazer
Mal pensado, ou sonhado sem pensar,
Vejo os meus dias nulos decorrer
E o cansaço de nada me aumentar
Perdura, sim, como uma mocidade
Que a si mesma se sobrevive, a esperança,
Mas a mesma esperança o tédio invade,
E a mesma falsa mocidade cansa.
Tênue passar das horas sem proveito,
Leve correr dos dias sem ação,
Como a quem com saúde jaz no leito
Ou quem sempre se atrasa sem razão.
Vadio sem andar, meu ser inerte
Contempla-me, que esqueço de querer,
E a tarde exterior seu tédio verte
Sobre quem nada fez e nada quere.
Inútil vida, posta a um canto e ida
Sem que alguém nela fosse, nau sem mar,
Obra solentemente por ser lida,
Ah, deixe-me sonhar sem esperar!
Mal pensado, ou sonhado sem pensar,
Vejo os meus dias nulos decorrer
E o cansaço de nada me aumentar
Perdura, sim, como uma mocidade
Que a si mesma se sobrevive, a esperança,
Mas a mesma esperança o tédio invade,
E a mesma falsa mocidade cansa.
Tênue passar das horas sem proveito,
Leve correr dos dias sem ação,
Como a quem com saúde jaz no leito
Ou quem sempre se atrasa sem razão.
Vadio sem andar, meu ser inerte
Contempla-me, que esqueço de querer,
E a tarde exterior seu tédio verte
Sobre quem nada fez e nada quere.
Inútil vida, posta a um canto e ida
Sem que alguém nela fosse, nau sem mar,
Obra solentemente por ser lida,
Ah, deixe-me sonhar sem esperar!
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
ANSIEDADE - SILVANARC
HOJE EM DIA VIROU DOENÇA
ELA DESEQUILIBRA E NOS ADOECE
MAS COMO VIVER SEM ELA?
NÃO SERÍAMOS HUMANOS.
O SER QUE RACIOCINA
PROJETA , VÊ ALÉM
E AS VEZES, NÃO É BEM ASSIM
QUE AS COISAS ACONTECEM.
CRESCER REQUER TER ANSIEDADE
ELA FAZ VOCÊ IR BUSCAR,
ALCANÇAR O QUE PRECISA.
COMO NUNCA TERMINAMOS A BUSCA,
SOMOS ANSIOSOS! GRAÇAS A DEUS!
ELA DESEQUILIBRA E NOS ADOECE
MAS COMO VIVER SEM ELA?
NÃO SERÍAMOS HUMANOS.
O SER QUE RACIOCINA
PROJETA , VÊ ALÉM
E AS VEZES, NÃO É BEM ASSIM
QUE AS COISAS ACONTECEM.
CRESCER REQUER TER ANSIEDADE
ELA FAZ VOCÊ IR BUSCAR,
ALCANÇAR O QUE PRECISA.
COMO NUNCA TERMINAMOS A BUSCA,
SOMOS ANSIOSOS! GRAÇAS A DEUS!
AS MINHAS ANSIEDADES- FERNANDO PESSOA
As minhas ansiedades caem
Por uma escada abaixo.
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.
Na múmia a posição é absolutamente exata.
Música longínqua,
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos.
Por uma escada abaixo.
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.
Na múmia a posição é absolutamente exata.
Música longínqua,
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos.
AS HORAS PASSAM..- SILVANARC
As horas passam muito depressa
Quando você faz o que gosta
As horas demoram a passar
quando você faz o que não gosta
O tempo sente a pressão
e tenta cumprir a missão
de te dar tempo ao tempo
o resto é ilusão.
Aproveita o tempo
que ele te dá, e diga sim
para a vida, para novas emoções
para o riso e para choro!
Faça por onde para merecer
O tempo que o tempo te dá
Atitude e determinação
e procure o bem!
Quando você faz o que gosta
As horas demoram a passar
quando você faz o que não gosta
O tempo sente a pressão
e tenta cumprir a missão
de te dar tempo ao tempo
o resto é ilusão.
Aproveita o tempo
que ele te dá, e diga sim
para a vida, para novas emoções
para o riso e para choro!
Faça por onde para merecer
O tempo que o tempo te dá
Atitude e determinação
e procure o bem!
AS HORAS PELA ALAMEDA - FERNANDO PESSOA
As horas pela alameda
Arrastam vestes de seda,
Vestes de seda sonhada
Pela alameda alongada
Sob o azular do luar...
E ouve-se no ar a expirar-
A expirar mas nunca expira-
Uma flauta que delira,
Que é mais a ideia de ouvi-la
Que ouvi-la quase tranquila
Pelo ar a ondear e a ir,,,
Silêncio a tremeluzir...
Arrastam vestes de seda,
Vestes de seda sonhada
Pela alameda alongada
Sob o azular do luar...
E ouve-se no ar a expirar-
A expirar mas nunca expira-
Uma flauta que delira,
Que é mais a ideia de ouvi-la
Que ouvi-la quase tranquila
Pelo ar a ondear e a ir,,,
Silêncio a tremeluzir...
terça-feira, 2 de agosto de 2016
MEU PALÁCIO! SILVANARC
Moro em um palácio
Tem quatro andares
De muita sabedoria
E amor , gentileza
Aqui as boas intenções
Sempre prevalece
Mas a vida nos endurece
E seguimos adiante
O duelo da razão e da emoção
Sempre constante.
E a procura do equilibrio.
É a meta que se que alcançar
Quando se tem fé
Tem-se um caminho a seguir;
Quem sente amor
Tem o coração para orientar;
E a vida segue o curso
Dos nossos pensamentos
E das nossas atitudes
A vida é viva!
Tem quatro andares
De muita sabedoria
E amor , gentileza
Aqui as boas intenções
Sempre prevalece
Mas a vida nos endurece
E seguimos adiante
O duelo da razão e da emoção
Sempre constante.
E a procura do equilibrio.
É a meta que se que alcançar
Quando se tem fé
Tem-se um caminho a seguir;
Quem sente amor
Tem o coração para orientar;
E a vida segue o curso
Dos nossos pensamentos
E das nossas atitudes
A vida é viva!
AQUI ONDE SE ESPERA - FERNANDO PESSOA
Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego-
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
- Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,
E nada importaria
- Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,
Aqui, aqui estarei
- Sossego, só sossego-
Como no exílio um rei,
Gozando da ventura
- Sossego, ó sossego-
De não ter a amargura
E reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego-
O nome venerando...
Que mais quer quem descansa
Sossego, só sossego-
Da dor e da esperança,
Que ter a negação
-Sossego, só sossego-
De todo o coração?
- Sossego, só sossego-
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
- Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,
E nada importaria
- Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,
Aqui, aqui estarei
- Sossego, só sossego-
Como no exílio um rei,
Gozando da ventura
- Sossego, ó sossego-
De não ter a amargura
E reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego-
O nome venerando...
Que mais quer quem descansa
Sossego, só sossego-
Da dor e da esperança,
Que ter a negação
-Sossego, só sossego-
De todo o coração?
terça-feira, 26 de julho de 2016
TÃO PERTO É O PARAÍSO - SILVANA RC
OLHO PRA FRENTE
VEJO A BELEZA
OLHO PRA ESQUERDA
VEJO A NATUREZA
OLHO PRA DIREITA
VEJO A PORTA
DE ENTRADA
DA CASA FELIZ
OLHO PRA TRÁS
VEJO A ALMA
DA CASA QUERIDA
A COZINHA!
VEJO A BELEZA
OLHO PRA ESQUERDA
VEJO A NATUREZA
OLHO PRA DIREITA
VEJO A PORTA
DE ENTRADA
DA CASA FELIZ
OLHO PRA TRÁS
VEJO A ALMA
DA CASA QUERIDA
A COZINHA!
AO LONGE, AO LUAR - FERNANDO PESSOA
Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
O peso da razão - SilvanaRC
O coração está pesado
Amargurado , caluniado
Ele está sangrando de dor
Pois o amor parou!
Mas está latente
Esperando passar
As sensações ruins
Que estão rondando-o
Razão porque tu és tão fraca
Diante do amor?
Ainda bem, pois o amor uni
e mantem laços
A razão só vê o que quer!
Vença Amor!
Eu torço por ti!
Amargurado , caluniado
Ele está sangrando de dor
Pois o amor parou!
Mas está latente
Esperando passar
As sensações ruins
Que estão rondando-o
Razão porque tu és tão fraca
Diante do amor?
Ainda bem, pois o amor uni
e mantem laços
A razão só vê o que quer!
Vença Amor!
Eu torço por ti!
A alcova - Fernando Pessoa
Desce não se por onde
Até não me encontrar.
Ascende um leve fumo
Das minhas sensações.
Deixo de me incluir
Dentro de mim. Não há
Cá-dentro nem lá-fora.
E o deserto está agora
Virado para baixo.
A noção de mover-me
Esqueceu-se do meu nome.
Na alma meu corpo pesa-me.
Sinto-me um reposteiro
Pendurado na sala
Onde jaz alguém morto.
Qualquer coisa caiu
E tiniu no infinito,
Até não me encontrar.
Ascende um leve fumo
Das minhas sensações.
Deixo de me incluir
Dentro de mim. Não há
Cá-dentro nem lá-fora.
E o deserto está agora
Virado para baixo.
A noção de mover-me
Esqueceu-se do meu nome.
Na alma meu corpo pesa-me.
Sinto-me um reposteiro
Pendurado na sala
Onde jaz alguém morto.
Qualquer coisa caiu
E tiniu no infinito,
domingo, 10 de julho de 2016
TEMPOS MODERNOS - SILVANARC
Caminho pela vida
Sem direção em mim
Mas é assim mesmo
Que acontece com todos
A chegada é pensada.
O turbilhão de acontecimentos
Te leva a loucura
São tempos modernos
Na luz do teu caminho
Desistir jamais
Não se pode perder um,
Só minuto, desta alucinação
Chamada informação.
Escolhas são chave
Para prosseguir e
Saber parar é o fim!
Sem direção em mim
Mas é assim mesmo
Que acontece com todos
A chegada é pensada.
O turbilhão de acontecimentos
Te leva a loucura
São tempos modernos
Na luz do teu caminho
Desistir jamais
Não se pode perder um,
Só minuto, desta alucinação
Chamada informação.
Escolhas são chave
Para prosseguir e
Saber parar é o fim!
ANDEI LÉGUAS DE SOMBRA - Fernando Pessoa.
Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há- frinchas.
Passa uma caravana.
Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical.
Dentro em meu pensamento
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há- frinchas.
Passa uma caravana.
Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical.
domingo, 26 de junho de 2016
Ela -SilvanaRC
Ela é triste
pois derruba
leva e não traz
Deixa ela em paz
quieta, não mexe
com ela ,esquece
E viva, renasça
a cada segundo
pois ela te espera!
pois derruba
leva e não traz
Deixa ela em paz
quieta, não mexe
com ela ,esquece
E viva, renasça
a cada segundo
pois ela te espera!
A MORTE CHEGA CEDO - FERNANDO PESSOA
A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto
A minha life- SilvanaRc
A minha vida é minha
e de mais ninguém
Pois dela me alimento
e crio tudo e todos que
estão ao meu redor
Se estiver tudo bem
não estou realizada
Se estiver tudo mau
não estou realizada
Então o que é a vida
e qual seu objetivo?
Devo responder só a mim
pois é a minha vida!
e de mais ninguém
Pois dela me alimento
e crio tudo e todos que
estão ao meu redor
Se estiver tudo bem
não estou realizada
Se estiver tudo mau
não estou realizada
Então o que é a vida
e qual seu objetivo?
Devo responder só a mim
pois é a minha vida!
A MINHA VIDA É UM BARCO ABANDONADO - FERNANDO PESSOA
A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com seu fado?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas: peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo de manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Infiel, no ermo porto, ao seu destino
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com seu fado?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas: peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo de manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
A Grande onda- Silvana RC
A onda do mar arrebenta em mim
Lembro pra sempre do momento
Que o peso me achatou e fez
Para sempre lembrança amiga
Naquele segundo tudo veio à tona
Menos eu, meu pensamento zerou
De repente quero ar nos meus pulmões
Pra poder recomeçar a viver, viva.
A mão da vida estendeu e me puxou
Para voltar e lembrar o quanto
somos pequenos perante os obstáculos
Mas somos cérebros pensantes
As ideias nos fazem ser especiais
O mar sabe disso, a lua e o sol também
Elementos da natureza que nos amam
E nós precisamos amá-los mais!
Obrigada, obrigada, obrigada!
To aqui!
A GRANDE ESFINGE DO EGITO - FERNANDO PESSOA
A Grande Esfinge do Egito sonha por este papel dentro...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo...Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do teto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Quéops, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Quéops em ouro velho e Mim!...
Escrevo - e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo - perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo...Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do teto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Quéops, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Quéops em ouro velho e Mim!...
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Saudade - Silvana RC
Sinto um vazio, de ser
Que me vale muito
Com certeza me fere
Na parte pulsante do corpo
O que será, é amor ou inveja
O amor é irmão , generoso
Dá vida e reproduz
Sentimento de sentir
Sem pedir nada em troca
Mas cobra de quem ama
Preço alto à pagar
Inveja é feia
Inveja é egoísta
Inveja é triste
Pois quer ter
O que não tem
Adeus inveja
E nasce um novo ser.
Que me vale muito
Com certeza me fere
Na parte pulsante do corpo
O que será, é amor ou inveja
O amor é irmão , generoso
Dá vida e reproduz
Sentimento de sentir
Sem pedir nada em troca
Mas cobra de quem ama
Preço alto à pagar
Inveja é feia
Inveja é egoísta
Inveja é triste
Pois quer ter
O que não tem
Adeus inveja
E nasce um novo ser.
ABISMO - FERNANDO PESSOA
Olho o tejo, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando.
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando-
O que é sério, e correr?
O que é está-lo eu a ver?
Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco-
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo - eu e o mundo em redor-
Fica mais que exterior.
Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus...
E súbito encontro Deus.
Que me esquece olhar olhando.
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando-
O que é sério, e correr?
O que é está-lo eu a ver?
Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco-
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo - eu e o mundo em redor-
Fica mais que exterior.
Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus...
E súbito encontro Deus.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Emergência para a vida! Silvana Sciortino
Chega a noite de muitas promessas
E teu mundo se modifica
pois o filho quer teu sono
E é chegada a hora
De mostrar a que veio.
Minha sorte, está lançada
Pegada por um anjo
Que me guia pelo caminho
E para onde devo estar
Minha vida é vivida
de agradecimentos
e de clamor por proteção
ao anjo da luz que me ilumina
Desci do salto da proteção
e me entreguei a vida
como todo mundo!
ABDICAÇÃO - FERNANDO PESSOA
Toma-me. ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho. Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixe-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
E chama-me teu filho. Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixe-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Meu primeiro poema ! Silvana RC
A vida criada
(outra também)
Deixa um caminho
Sobre a vida que é minha
No dia que passa
Alegra com certeza
Os sonhos a sonhar
Uma roda a rodar
E entre a vida e alegria
Que brilha com sol
Minha linha se faz
Minha vibração
Concordo como é
E bem perto quero
A vida e a alegria
Que me pertence
E quando tudo misturar
Como a lua e o sol
Sempre a iluminar
Vem a vida a brilhar!
(outra também)
Deixa um caminho
Sobre a vida que é minha
No dia que passa
Alegra com certeza
Os sonhos a sonhar
Uma roda a rodar
E entre a vida e alegria
Que brilha com sol
Minha linha se faz
Minha vibração
Concordo como é
E bem perto quero
A vida e a alegria
Que me pertence
E quando tudo misturar
Como a lua e o sol
Sempre a iluminar
Vem a vida a brilhar!
ABAT-JOUR FERNADO PESSOA
A lâmpada acesa
(Outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei...Era dia
E longe de aqui...
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar...
(Outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei...Era dia
E longe de aqui...
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar...
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