PAI PAGA DUAS VEZES. Quando a Paula entrou na adolescência, eu completei sua "educação para a liberdade". Ela fazia o que queria. Entre tantas peripécias e baladas (inclusive no próprio apartamento dela), ela inaugurou, ou melhor, re-inaugurou, a ideia de subir a Rua Augusta de Madrugada, a pé, fazendo um belíssimo top less. Tatuadíssima, ela fez uma parte de São Paulo conhecer o lado devasso dos Ghiraldelli. Eu com o c* na mão, em casa, comecei a ficar tão calejado, que já não conseguia mais tremer. Chega uma hora, que você tem de entregar para Deus, ou para o anjo da guarda. Melhor para o anjo! Pois Deus vive ocupado e o anjo, por sua vez, é um dote individual que os romanos ganharam dos gregos. Cada um tem o seu daimon protetor.
A Paula agora tá como filhinha. Mariana tem dois anos e num rápido movimento escapou pelo portão. O berreiro da Paula "Cadê minha filha" ecoou de tal forma que eu consegui chegar mais depressa na Mariana, já a dois quarteirões longe. Um funcionário da Farmácia perto pegou o animal fujão.
Quando a Paula aprontava as dela, "eu dizia: se vai ter filha!". Ela teve, levou um susto daqueles. Mas eu levei mais. Resultado, sofri duas vezes. Uma com ela, outra com a ideia de ter dito "você vai ter filha". Pai é um animal que tem que se fod*. Mas é bom. Sem isso, a gente não sabe nada. A filosofia não tem o dom de substituir a paternidade para nós tornar gente.
Tem energúmeno que está sempre amargurado, tendo os filhos sadios e perto. Não sabe nada da vida.
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