domingo, 23 de outubro de 2016

China Antiga

CHINA ANTIGA
INTRODUÇÃO
A China é uma das civilizações mais antigas do mundo, juntamente com o Egito, a Mesopotâmia, a Pérsia, a Índia e a Grécia. A civilização chinesa tem uma longa história, cuja principal característica foi, até o século XIX, a permanência de determinados elementos como o cultivo de cereais, a escrita, a importância da família ou o culto aos antepassados. Assim como outros povos da antiguidade, os chineses pensavam que a melhor forma de viver não consistia em modernizar-se, mas em repetir modelos do passado.
Na China já foram encontradas evidências de vida datadas de 250.000 anos aproximadamente e as primeiras referências históricas são muito antigas. Isto tem sido confirmado pela grande quantidade de restos arqueológicos e vestígios encontrados nas últimas décadas. Por sua vez, tais restos demonstraram a presença de antigos
O povoamento do vale do Rio Amarelo (Rio Hoang-Ho) se explica pela fertilidade do solo, favorável a pratica da agricultura, principalmente o cultivo do arroz. Durante centenas de anos a enchentes do rio e os ventos do deserto vinham depositando na terra uma camada de argila amarelada, conhecida como loess, que deu ao rio um tom amarelado e o nome. Precedendo que o loess era um eficiente fertilizante do solo, os chineses fixaram-se nas planícies às margens do rio, onde iniciaram o cultivo da terra. Para melhor aproveitar os recursos naturais da região, os chineses construíram canais de irrigação e diques para controlar as cheias. Essa prática é semelhante à que os egípcios antigos desenvolveram aproveitando as enchentes do Nilo.
Essas pequenas aldeias agrícolas deram origem a povoados, que mais tarde se transformaram em pequenos Estados governados por chefes políticos. Posteriormente, alguns desses pequenos Estados foram dominados por outros, fazendo surgir reis poderosos e respeitados. O poder passou a ser transmitido de pai para filho (poder hereditário), dando origem ao que chamamos de dinastias.

O PRIMEIRO IMPERADOR CHINÊS
Assim surgiu a primeira dinastia conhecida, denominada Shang (séculos XVIII-XII a.C.). Porém, o norte da China estava dominado pelos bárbaros e oSul tinha ficado bem dividido em diversas regiões. Um general do exército Qin Shi Huang Di, primeiro imperador chinês (247 até 221 a.C.), conseguiu iniciar o processo de reunificação do país, depois de muitas lutas sangrentas e conflitos políticos da época. Nos anos que se seguiram, seus filhos continuaram a reunificar o que, hoje, conhecemos como China.
Embora de curta duração, a dinastia Qin foi de vital importância para a China, pois lançou as bases de um império que haveria de se manter durante mais de dois milênios. O império consistia em um território unificado sob controle religioso e político de um soberano. A política defensiva e centralizadora dos Qin possibilitou a construção de estradas, pontes, .... Houve uma reformulação na arrecadação de impostos, no recolhimento de reservas em grãos para as épocas de carestia, crise ou guerra, e o estímulo ao comércio externo. Grandes obras de irrigação, barragens e fortificação de cidades foi empreendida, ao custo de milhares de escravos, servos e camponeses livres convocados para o trabalho compulsório. A Grande Muralha é um dos grandes projetos de Qin Shi Huang Di: construída pela união de várias outras pequenas muralhas locais, seu objetivo era regular a presença dos nômades do Norte nas fronteiras chinesas.
Qin Shi Huang Di ainda fez mais pelo império chinês: unificou pesos, medidas e moedas para facilitar o trânsito de mercadorias. Promoveu também a uniformização dos ideogramas, criando a primeira gramática-dicionário da língua chinesa, de caráter universal. Esta síntese permitiu que, nos séculos posteriores, várias outras nações pudessem falar e escrever chinês, sendo a
base, ainda, dos ideogramas modernos.
Em meio a tantas medidas positivas, a dinastia Qin também foi marcada pela violência: perseguições aos sábios que discordavam do regime, queima de livros, supressão de práticas religiosas, culto à imagem do Imperador, exaustão das classes baixas pela exploração do trabalho.... Enfim, a unificação do Império teve um alto custo social,
O reinado de Qin Shi Huang Di foi marcante, porém de curta duração: em 210 a.C. ele morre, provavelmente envenenado pelos elixires que tomava para obter a imortalidade. Depositado em seu fabuloso mausoléu, descoberto em 1974, foi guarnecido por mais de oito mil soldados e cavalos, em tamanho natural, planejados para defendê-lo em outro mundo.
Seguiram-se outras dinastias até a dominação mongol em 1279. A dinastia Ming seguiu-se ao domínio mongol, de 1368 a 1644. Nesse período, a China incorporou a Manchúria, Indochina e Mongólia e fechou-se para o mundo exterior. Em 1644, governantes da Manchúria estabeleceram a dinastia Qing, que durou até 1911.

O CULTIVO DO ARROZ
Desde a Antiguidade, o arroz sempre foi o principal cultivo do Sudeste Asiático. A população, assentada à beira do rio Amarelo, teve de se adaptar às inundações periódicas que recobriam os campos. Os camponeses criaram um sistema de canalizações e terraços para cultivar o arroz. Trabalhavam com métodos primitivos, arando com a ajuda de bois e utensílios manuais. O transplante e a colheita eram feitos totalmente à mão.

A ROTA DA SEDA
A Rota da Seda foi criada, pois a seda chinesa foi um dos materiais mais apreciados e comprados no mundo todo.Antes que tal nome fosse escolhido, esse trajeto, com mais de sete mil quilômetros, já era há mais de dez mil anos utilizado por aventureiros, peregrinos comerciantes, religiosos, monarcas e soldados que cortavam esse extenso conjunto de estrada a pé ou no lombo de animais, unindo a porção síria do mar Mediterrâneo aos territórios chineses de Xiang.
O comércio da seda foi uma das atividades mais lucrativas para os chineses. Para se ter uma ideia, no século I d.C., o Império Romano tornou-se um dos maiores consumidores do produto. A seda era transportada geralmente por terra, e o caminho mais conhecido era aquele que atravessava o Deserto de Góbi, as terras dos atuais Cazaquistão e Turquia, até chegar a Roma.
Na verdade, o correto é chama-las de Rotas da Seda: eram uma série de rotas interconectadas através do sul da Ásia e eram usadas no comércio, principalmente, da seda entre o Oriente e a Europa. Por tais rotas passavam as caravanas e embarcações oceânicas, que faziam a ligação do Oriente e a Europa. No início, a rota ligava a cidade de Chang'an na China até Antioquia na Ásia menor, porém sua influência foi aumentando chegando até a Coreia e o Japão, formando assim a maior rede comercial do Mundo Antigo. Os comerciantes que saíam do Oeste levavam marfim africano, ouro, peles de animais, vinho e animais de montaria. Em contrapartida, os distantes territórios chineses ofereciam ervas aromáticas, perfumes e os tão falados tecidos de seda que nomeavam o caminho.
Essas rotas não foram importantes somente para o crescimento e desenvolvimento de regiões e de grandes civilizações como o Egito Antigo, a Mesopotâmia, a China, a Pérsia a Índia e Roma. Elas foram importantíssimas para o mundo moderno. Isso por que a Rota da Seda também serviu para que um intercâmbio cultural fosse estabelecido entre as culturas do Ocidente e do Oriente, fazendo com ambas tivessem algum tipo de ganho com isto. No entanto, a transferência de tecnologia feita pelo Oriente para o Ocidente é, sem sombra de dúvidas uma das coisas mais importantes que a Rota da Seda conseguiu promover, já que por meio dela, pólvora, astrolábio, compasso e outros conhecimentos e inventos foram levados até à Europa.

A SEDA
A descoberta da seda pelo homem é repleta de lendas. Para Confúcio (551-479 a.C.), a honra coube à imperatriz Hsi-Ling-Shi, em 2640 a.C. Enquanto saboreava o chá da tarde, um casulo do bicho-da-seda teria caído na bebida fervente; a imperatriz percebeu que, amolecido, o casulo poderia ser desenrolado, formando um fio. A lenda é tão fantasiosa que pode até ser verdadeira.
Enfim, no passado remoto, os chineses aprenderam a fabricar a seda a partir da fibra branca dos casulos dos bichos da seda. Só os chineses sabiam como fabricá-las e mantinham esse segredo muito bem guardado. Assim, ciente do valor comercial do tecido que pode ser usado em dias quentes ou frios, o governo chinês proibiu a exportação de ovos de mariposas e sementes de amoreiras, condenando à morte os traficantes. Quando eles, os chineses, começaram a fazer contato com cidades ocidentais, encontraram pessoas muito dispostas a pagar muito caro por esse produto.

ESCRITA E IDIOMAS
A escrita chinesa é baseada em ideogramas (desenhos), sendo que eles representam ideias, objetos, sentimentos, etc. Essa escrita conta com mais de dez mil caracteres, porém, dos quais, mais de 3 mil são mais usados que se formam palavras e frases bem diversificadas.Atualmente, o mandarim é o dialeto mais falado na China, porém, existem outros como, por exemplo, wu, cantonês, dialetos min, jin, xiang, kejia, gan, entre outros.

RELIGIÃO
CONFUCIONISMO - Confúcio baseava seu pensamento nas relações sociais, através de uma moralidade pessoal e governamental, como um resgate de valores antigos perdidos pelos homens. Essas normas de conduta favoreciam as relações familiares, o respeito aos ancestrais e aos idosos, o cuidado às crianças, dentre outros. É atribuída ao filósofo a frase “não faça aos outros o que não quer que façam a você mesmo”. Morreu aos 72 anos em sua terra natal. Confúcio não acreditava na definição de um papel social, e sim que cada pessoa deveria cumprir seus deveres de forma correta, sob qualquer circunstância. No Confucionismo não existe um deus criador do mundo, nem uma igreja organizada ou sacerdotes. O alicerce místico de sua doutrina é a busca do Tao, conceito herdado de pensadores religiosos anteriores a Confúcio. O tao é a fonte de toda a vida, a harmonia do mundo. No confucionismo, a base da felicidade dos seres humanos é a família e uma sociedade harmônica. A família e a sociedade devem ser regidas pelos mesmos princípios: os governantes precisam ter amor e autoridade como os pais; os súditos devem cultivar a reverência, a humildade e a obediência de filhos.
TAOÍSMO - a maior religião popular da China foi o taoísmo. Suas teorias foram criadas pelo pensador Lao-Tsé. Segundo Lao-tsé, o Tao seria criador do mundo e responsável pela ordem de todas as coisas e de todas as pessoas. O taoísmo ganhou muitos adeptos entre as camadas populares ao pregar que todos os que levassem uma vida muito miserável e sofrida na Terra poderiam alcançar uma vida melhor pós a morte, pela fé e pela purificação.
Segundo Lao-tsé, toda a natureza é regida pelo equilíbrio das energias yin (energia negativa e feminina) e yang (energia positiva e masculina), os opostos que se complementam. E o corpo humano é parte desse conjunto. A oposição entre as energias yin e yang pode explicar fenômenos que ocorrem em nosso corpo: se em harmonia, essas energias promovem a saúde; se em desequilíbrio, a doença.
BUDISMO - Budismo é uma das mais antigas e maiores religiões do mundo. Nasceu de ensinamentos dados há aproximadamente 2.500 anos atrás por Gautama Buda, "O Despertado" ao norte da Índia. Um dos fundamentos principais do Budismo foi definido pelo Buda como as Quatro Verdades Nobres. Isto é, a vida é sofrimento. O sofrimento é causado por afeições e aversões, embora haja uma maneira de escaparmos deste sofrimento. O fim do sofrimento é a Iluminação que pode ser alcançada através da prática do Budismo. As práticas de meditação e consciência plena são utilizadas para o alcance da Iluminação (Nirvana) com extrema rapidez. O praticante usa todos os aspectos de sua vida diária como instrumentos para progredir no caminho da Iluminação. O Nirvana é um estado onde o ciclo de nascimento e morte é quebrado, por onde se obtém completa compreensão da vida.

RELIGIÕES POPULARES - eram festivas e reuniam muitos seguidores. As famílias cultuavam os deuses nas festas anuais e nas oferendas aos antepassados. Acreditavam que os espíritos dos antepassados protegiam o lar e, por isso, reservavam um dos aposentos da casa para lhes servir de moradia. Em certas datas do ano, como aniversário ou morte do antepassado, os familiares o homenageavam.Curiosidade: o dragão chinês é uma criatura mitológica das mais importantes da mitologia chinesa. É considerada a mais poderosa e divina criatura e acredita-se que seja o regulador de todas as águas. O dragão simbolizava grande poder e era apoio de heróis e deuses. Na mitologia chinesa, acredita-se que os dragões possam criar nuvens com sua respiração. O povo chinês usa muitas vezes a expressão "descendentes do dragão" como um símbolo de sua identidade étnica.


ARTE
A arte chinesa é marcada bela beleza dos vasos em cerâmica pintados, artesanalmente, com motivos culturais da China. A arte em seda também é outro aspecto importante. Os pintores chineses destacam, em suas telas, as belezas naturais da China (paisagens, animais) e aspectos mitológicos.

O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO

Os estudiosos chineses, que dominavam tecnologias avançadas para a época, desenvolveram vários instrumentos que ainda hoje são muito úteis, como a bússola magnética, o sismógrafo (que mede a intensidade dos tremores de terra) e o compasso. Já no século II d.C., Zhang Heng construiu um globo celeste. Em 1088 Han Gonglian projetou o primeiro relógio astronômico movido a água do mundo. Os chineses também deram uma grande contribuição para os estudos de astronomia e aritmética.

Portanto, os chineses contribuíram muito para o desenvolvimento do conhecimento no mundo todo. Já no século II, haviam inventado o papel; no século VI, a imprensa e a porcelana – que em inglês se chama 'china'. Outros inventos foram o jogo de xadrez, os papagaios ou pipas de empinar, a porcelana, os fogos de artifício, o guarda-chuva, o papel, a imprensa, produtos e técnicas medicinais como a acupuntura.


A SOCIEDADE
A sociedade chinesa era muito tradicional e cerimoniosa. Acima de todos os elementos ficava o imperador, adorado como 'filho do céu'. Vinha em seguida um corpo de funcionários, os mandarins, considerados o orgulho do império. Esse grupo foi criado no século II a.C., desbancando a nobreza feudal, e desempenhou um importante papel na vida institucional e cultural do país. Abaixo deles vinha o resto da sociedade: camponeses, comerciantes e artesãos. Na sociedade chinesa não havia escravos.
Os imperadores tinham a função de manter o equilíbrio e a harmonia entre os dois mundos: o natural (dos vivos) e o sobrenatural (dos mortos). Acumulavam funções administrativas, religiosas e sociais.Julgar a capacidade do imperador era responsabilidade do Céu e nem sempre ela estava relacionada com as tarefas cumpridas na Terra. E como saber se o imperador estava agradando ao Céu?A sociedade chinesa acreditava que os deuses se manifestavam na natureza e na vida social. Revoltas populares, perturbações naturais (catástrofes, secas, inundações), invasões de povos estrangeiros eram sinais divinos de que o imperador deveria ser substituído por outro a qualquer momento. Trabalhando para o imperador estavam diversos funcionários, principalmente os mandarins: funcionários que controlavam a administração do estado, organizando o calendário das atividades reais, a construção de estradas, diques, barragens e obras públicas, e zelando pela justiça e segurança da sociedade. Os mandarins eram muito importantes, pois praticamente administravam o Estado. Por isso, desde cedo os meninos da nobreza eram preparados para exercer essa função.
A produção agrícola estava nas mãos de grandes e médios proprietários de terras. Existiam também grupos de camponeses que arrendavam, com suas famílias, as terras do governo, onde criavam animais e plantavam. Essas pessoas trabalhavam arduamente: além de sustentarem a família, tinham de pagar altos tributos pelo arrendamento das terras.




A FAMÍLIA E ASPECTOS CULTURAIS DA CHINA
Para a maioria dos chineses, e durante a maior parte da história da China, a família era o centro da vida social, e a devoção a ela era considerada uma grande virtude. Os pais sentiam-se responsáveis pela transmissão dos ensinamentos que vinham dos antepassados para seus filhos, como preservar a propriedade familiar.
As famílias chinesas eram muito numerosas. Geralmente os parentes viviam na mesma casa (pai, mãe, filhos, avós, netos, tios), reunindo muitas vezes três ou quatro gerações.
Para uma mulher casada, a maior virtude era a fidelidade, e isso também valia caso ela enviuvasse. Entretanto não era ilegal que uma mulher se casasse depois da morte do marido, o que de fato era até comum, por causa das dificuldades econômicas. No entanto, isso era visto como uma prática moral inferior. De acordo com a crença popular, a mulher que casasse em segundas núpcias seria considerada, depois de morta, um fantasma na família dos maridos.
Na China, os meninos recebiam tratamento diferenciado, uma vez que eram considerados os futuros chefes das famílias. Quando completavam 20 anos de idade, tinham seus cabelos cuidadosamente presos no alto da cabeça e protegidos por um gorro. Os casamentos eram normalmente arranjados entre famílias e, depois de casada, a mulher mudava-se para a casa do marido.
Um homem, o patriarca (o de mais idade), tem a última palavra de autoridade nos assuntos da família. Havia famílias em que três, quatro ou até cinco gerações viviam sob um mesmo teto.
Os imperadores chineses costumavam casar suas filhas com membros das famílias reais dos povos vizinhos e, assim, protegiam suas fronteiras.Os meninos e meninas podiam frequentar as escolas. A sociedade chinesa sempre deu muita importância para a educação. Mesmo as crianças mais pobres recebiam instrução, muitas vezes da própria família.
A educação das meninas tinha o objetivo de prepará-las para as tarefas do lar, como bordar e costurar. Para os meninos, o objetivo central era prepará-los para concorrer ao cargo de funcionário real, que era escolhido pelo próprio imperador. Se fossem escolhidos, os rapazes teriam uma situação privilegiada dentro do Estado.


FONTES DE PESQUISA

http://www.infoescola.com

https://pt.wikipedia.org

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