O berço das primeiras civilizações
Mesopotâmia
(do grego, entre os rios) ficava entre os rios Tigre e Eufrates, no território
do atual Iraque. Apesar de atualmente não ser uma região muito especial, exceto
pelo petróleo e os conflitos constantes, na época era um lugar muito
privilegiado. Com cheias dos rios as terras eram fertilizadas pelo limo e húmus
(material orgânico em decomposição). Os rios favoreciam a pesca e havia caça
abundante e condições para criar animais nas margens dos rios.
O Estado e as desigualdades sociais
Havia
a necessidade da construção de diques para conter violentas enchentes, devido a
isso precisava-se de planejamento e estocagem da produção, por isso
organizou-se o Estado, como um meio de administrar essas necessidades. Os
governantes aproveitaram-se da situação para enriquecerem.
Assim,
as terras, que antes eram comunais, passaram a ser do Estado e, com o tempo, as
elites guerreiras tomaram as melhores terras que o governo controlava. Essa
elite associou-se a sacerdotes e grandes comerciantes, formando a classe
exploradora.
Povos Mesopotâmicos
Uma história de sucessivas conquistas
Historia
da Mesopotâmia é marcada pela sucessão de guerras entre povos que disputavam as
melhores terras para cultivo. Além disso, os exércitos usavam táticas de
pilhagem e escravizavam outros povos. Entre esses povos destacam-se sumérios,
acádios, amorritas (antigos babilônios), assírios e caldeus (novos babilônios).
Dessa
forma, vemos que a Mesopotâmia não era um só povo, mas sim um conjunto de povos
que lutavam entre si pelo domínio das melhores terras.
Sumérios: a mais antiga civilização
Fundaram
Ur, Uruk, Nippur, Lagash e Eridu. Todas essas cidades eram cidades-Estados e
muito guerrearam por disputas comerciais e políticas.
O
centro político, religioso e econômico das cidades sumerianas eram os templos e
o chefe absoluto desses templos chamava-se patesi (vigário de Deus). O patesi
era ajudado pela elite aristocrática (funcionários públicos que ocupavam altos
cargos) e os sacerdotes.
Aos
sumérios atribuem-se inovações como a roda e a escrita.
O
aparecimento da escrita, inicialmente, destinava-se a contabilidade dos
templos, que acumulavam através das oferendas de escravos, rebanhos e terras.
Os sacerdotes tinham que registrar operações como empréstimos, pagamentos e
mercadorias acumuladas. A partir de aproximadamente 3000aC passou a utilizar a
escrita também no registro literário, religioso e jurídico. Originalmente, essa
escrita era feita em argila mole com estiletes em forma de cunha, por isso ela
é chamada de cuneiforme.
Acádios: os guerreiros de arco e flecha
Cidades
sumerianas ocupavam melhores terras, por isso chamava a atenção dos acádios,
povo da cidade de Acad. Em aproximadamente 2500aC, acádios dominaram cidades da
Suméria. Os Acádios utilizavam arco e flechas, mostrando-se mais rápidos que a
infantaria (tropas a pé) sumeriana, com seus escudos e lanças pesadas.
Comandados por Sargão I, acádios fundaram o primeiro Império Mesopotâmico, que
se expandiu do golfo Pérsico até as regiões de Amorru e Assíria. Com a morte de
Sargão I, crescia luta de sumérios por sua liberdade.
Amorritas: a primeira idade da glória da Babilônia
Originários
do deserto arábico, amorritas chegam a Mesopotâmia por volta 2000aC,
estabelecendo-se na Babilônia, por isso eram conhecidos como babilônicos. Seu
mais importante rei foi Hamurábi (1728-1686 aC), que ampliou poderes econômicos
e políticos na região, derrotando os vizinhos e dominando toda a Mesopotâmia,
desde o golfo Pérsico até o norte da Assíria.
Para
regulamentar a vida econômica e a propriedade da terra, Hamurábi criou um
código de leis, o Código de Hamurábi, primeiro código escrito que se tem
noticias. Para a punição havia a Lei de Talião, determinando que a pena fosse a
mesma que o crime cometido, olho por olho, dente por dente.
Alguns exemplos de punições desse código eram: se um filho batesse com as mãos
no pai, teria suas mãos cortadas; se um médico tratasse feridas graves com faca
de bronze e o paciente morresse, o médico teria suas mãos cortadas; se um homem
furasse o olho de um homem livre, teria seus olhos furados; se fosse de um
escravo, teria que pagar metade do valor desse...
Após
a morte de Hamurábi, Império Babilônico entrou em decadência e foi invadido por
vários povos, como hititas e cassitas. Durante mais ou menos quatro séculos, os
Cassitas dominaram a região, sendo por fim submetidos pelos assírios.
Assírios: os terríveis guerreiros
Derivado
de Assur, que significa lugar de passagem, era uma região
do norte da Mesopotâmia, utilizada como passagem natural entre a Ásia e o
Mediterrâneo. Por ser de fácil acesso e ter muitos atrativos sofreu muitos
ataques. Esse perigo constante provavelmente desenvolveu espírito guerreiro nos
assírios. Eles organizaram um dos primeiros exércitos permanentes do mundo.
Comandos por reis como Sargão II, Senequerib e Assurnipal, os assírios fizeram
grandes conquistas e construíram um dos maiores Impérios da antiguidade. Do
século VIII ao VI aC dominaram região que incluía Mesopotâmia, Egito e Síria.
Exercito
assírio foi dos mais poderosos de seu tempo: infantaria era equipada de lanças,
espadas e escudos de ferro; cavalaria de carroças de combate com rodas
reforçadas.
Os
Assírios eram um dos povos mais cruéis, não se contentavam com a simples
vitória, mas massacravam os vencidos, torturando-os, queimando e destruindo as
cidades conquistadas. Os povos submetidos procuravam libertar-se desse terror,
promovendo várias revoltas e enfraquecendo paulatinamente os assírios. Em
aproximadamente 612aC, os caldeus e os medos aliaram-se e destruindo o Império
Assírio até seu fim.
Caldeus: a segunda idade de glória da Babilônia
Com
o fim do Império Assírio a Babilônia ficou independente, mas logo após foi
dominada pelos caldeus. Esses neobabilônicos reconstruíram-na, tornando-a uma
das cidades mais opulentas da Antiguidade. Seu principal rei foi Nabucodonosor,
responsável pela construção dos Jardins Suspensos da Babilônia e da Torre de
Babel. Realizou diversas conquistas militares como a tomada de Jerusalém
(586aC), submetendo os judeus como escravos. Apesar disso não durou muito o
domínio caldeu. Em 539aC, os persas, liderados por Ciro, conquistaram e
anexaram a Babilônia.
Sociedade
A divisão entre ricos e pobres
A divisão entre ricos e pobres
Organização
social variou muito pelos séculos, mas de modo geral podemos falar:
·
Dominantes: governantes, sacerdotes, militares e comerciantes.
·
Dominados: camponeses, pequenos artesãos e escravos (normalmente presos de
guerra).
Dominantes
detinham o poder de quatro formas básicas de manifestação desse poder: riqueza,
política, militar e saber. Posição mais elevada era do rei que detinha poderes
políticos, religiosos e militares. Ele não era considerado um deus, mas sim
representante dos deuses.
Os
dominados consumiam diretamente o que produziam e eram obrigados a entregar
excedentes para os dominantes.
Economia
O modo de produzir e as atividades econômicas
Organizava-se
pelo modo de produção asiático:
·
Terras pertenciam ao Estado e eram utilizadas pela comunidade;
·
Classes dirigentes administravam o Estado;
·
Estado dirigia o trabalho da sociedade;
·
Maior parte da sociedade servia aos governantes, devendo-lhe obediência e
tributos.
Atividade agropastoril
Agricultura
era principal atividade mesopotâmica, destacando-se o cultivo de: cevada, trigo
e tâmara. A agricultura estava ligada a pecuária, cuja criação mais importante
era a bovina que fornecia carne (artigo de luxo), leite e couro, alem de ser
usado para puxar carroças e para o arado. Também se destacava criação de asno,
muito usado para transporte terrestre.
Atividades urbanas
Citamos
as oficinas de artesãos onde se incluía os alfaiates, carpinteiros,
metalúrgicos, ourives, cortadores de pedras, ceramistas, tecelões etc. O
comércio a longa distancia também teve grande importância, caravanas terrestres
levavam produtos agrícolas e artesanais, principalmente lã, em troca de
matérias-primas da vizinhança, madeira, pedras duras, cobre, estanho, ouro e
prata. Até o século VI não havia moeda cunhada na Mesopotâmia, a cevada e
metais como ouro e prata eram usados como valor padrão, já o pagamento de
mercadorias importadas era feita em lingotes de metal.
Cultura e Mentalidade
A importância dos deuses
A
Mesopotâmia foi marcada pela importância de deuses, ritos, da astrologia e por
uma produção artística onde se destacava a arquitetura.
Deuses e astrologia
Eles
eram politeístas (vários deuses), entre principais deuses estavam: Anu, deus do
céu; Ishtar, deusa do amor; Shamash, deus do sol e justiça. Cada cidade-Estado
tinha seu deus protetor e quando uma dominava outra, impunha seu deus.
Os
mesopotâmicos também acreditavam em muitos demônios e, para evitá-los,
praticavam vários rituais mágicos, onde animais eram sacrificados.
A
astrologia também tinha muitos seguidores, os 12 signos já eram conhecidos e os
astrólogos faziam os horóscopos.
Produção artística
A
arquitetura mesopotâmica construía belos templos e palácios, destacando-se
zigurates (construções de vários andares, cada um menor que o outro). Como a
Mesopotâmia não tinha pedras duras as edificações eram feitas de tijolos e
grande parte não resistiu à erosão.
Na
literatura destaca-se a Epopéia de Gilgamesh, sobre as aventuras de amor e
bravura de um herói que desejava o segredo da imortalidade.
A arquitetura foi a principal arte da Mesopotâmia, com destaque
para a construção de palácios e templos.
Zigurates era o nome dado ao templo que possuía uma torre na sua
parte superior de onde os sacerdotes observavam os astros.
O zigurat, torre-templo onde os sacertotes caldeus observavam os astros.
A pintura e a escultura representavam sempre temas relacionados
com a religião e guerra, e eram usadas para decorar os templos e
palácios.
A escrita mesopotâmica era a cuneiforme, na qual era gravada em
plaquetas de argila com objetos pontiagudos. Essa escrita era realizada por
sinais que representavam uma idéia, e foi graças à capacidade de leitura desses
sinais que hoje podemos conhecer profundamente os costumes, o comportamento, as
práticas religiosas, a literatura, as leis, e as criações científicas dos povos
mesopotâmicos.
A astronomia era a ciência mais famosa entre os mesopotâmicos,
pois eles tinham uma crença de que os astros decidiam o destino dos
homens.
Sabe-se que as fases da lua, os eclipses, e outros fenômenos relacionados
à astrologia foram observados primeiramente pelos mesopotâmicos. Além disso,
eles são os responsáveis pela criação dos signos do zodíaco e do calendário, e
conseqüentemente pelo desenvolvimento da matemática.
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